[mandíbulas]
grãos e carnes
pé e sensualidade
vaivém ambíguo
forte ou suave
o tesão de ambos
visto por milhões de pessoas
pelas mandíbulas de uma fera
[simplesmente]
guerreira japonesa
toda despenteada, sem maquiagem
ninho de falcão
qualquer momento
ao sabor do imprevisível
simplesmente rasgar
como salva-vidas
[dois e um]
como todos, sou.
mais do que um
construção de dois
os dois estiveram juntos
mesmo vivendo em um
prolongamento inútil
ninguém mais
não é bem assim
como mostram as fotos
e longos abraços
com o rosto vermelho
[o cego e a inoftálmica]
era uma vez
um consultório de olhos
era muito legal sentar naquelas cadeiras com binóculos que faziam barulhinhos
este? ou este? este? ou este?
del arroyo parecia o próprio david lynch
os dois se encontraram na saída das consultas
na sala de desespera
os dois com os olhos esbugalhados pelo colírio
enxergando oceanos de fumaça pelas calçadas desprotegidas
um de cada lado
e o cego e a infoftálmica
caminharam juntos
[o cego]
tua testa de ponta-cabeça
e o chão transformou-se em céu
tua testa na minha cabeça
inundando o papel
tua testa de ponta-cabeça
e o céu transformou-se em chão
teus olhos de ponta-cabeça
e eu senti a tua mão
o cego nos conduz
o cego nos conduz
o cego de ponta-cabeça
tua testa nos conduz
o cego nos conduz
o cego nos conduz
tua testa de ponta-cabeça
o cego nos conduz
[poema sem nome e em duas vozes]
a brisa sopra folhas em meus ouvidos
algumas são verdes, algumas são secas
tocam suavemente a cartilagem imovel
da minha orelha ainda quente
e ansiosa
e saborosa
as folhas deslizam sobre a roupa amarrotada que encobre o meu corpo
correm alegres por cada morrinho que faz a malha felpuda e doce
aos poucos meus pés se deslocam do chão
minha cabeça pende pra trás e pairo em forma de lua
lua reluzente na noite sombria, clarividente em pleno dia
a música fraca dos lobos uivantes, as pintas bonitas que tenho na fronte
uma floresta que brota de folhas que caem
uma floresta que cai nas folhas em branco
e preenche o vazio de linhas não escritas
em cores e imagens bonitas
em dores suaves inéditas
e movimentos delicados e inebriantes
e tudo que se pode fazer num sábado ensolarado
é se deixar levar pela brisa e pelas folhas que caem
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário